"A História de Mona lisa"
Mona Lisa (ou La Gioconda) é uma famosíssima obra de arte feita pelo italiano Leonardo da Vinci. O quadro, no qual foi utilizada a técnica do sfumato, retrata a figura de uma mulher com um sorriso tímido e uma expressão introspectiva.
Em 1516, Leonardo da Vinci levou a obra da Itália para a França, quando foi trabalhar na corte do rei Francisco I da França, o qual teria comprado o quadro. Após isso, a obra passou por várias mãos chegando até mesmo a ser roubada. Napoleão Bonaparte, por exemplo, tomou a obra para si. Em 1911, a obra de arte foi roubada pelo italiano Vincenzo Peruggia, que a levou novamente para a Itália. Peruggia pensava que Napoleão havia tomado o quadro da Itália e levado para a França, assim desejou levar novamente a obra para sua terra natal.
Uma das grandes discussões no meio artístico é sobre a mulher representada no quadro. Muitos historiadores acreditam que o modelo usado no quadro seja a esposa de Francesco del Giocondo, um comerciante de Florença. Outros afirmam que seja Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para a qual da Vinci trabalhou alguns anos. Para Lillian Schwartz, cientista dos Laboratórios Bell, Mona Lisa é um auto-retrato de Leonardo da Vinci.
Atualmente, o quadro fica exposto no Museu do Louvre, em Paris, França. Mona Lisa é, quase que certamente, a mais famosa e importante obra de arte da história, sendo avaliada, na década de 1960, em cerca de 100 milhões de dólares americanos, lhe conferindo também, o título de objeto mais valioso, segundo o Guinness Book.
Para os amantes da arte, amadores ou acadêmicos, uma situação quase que desesperadora. Trocar olhares com Mona Lisa no Louvre pode estar com os dias contados. A tela começa a se deteriorar, informou o Louvre há alguns meses. Os franceses provavelmente vão chorar como choraram quando ela foi roubada do mesmo museu em 1910 ou quando transitava escondida pelas estradas da França nos idos de Hitler. No entanto, mesmo que o original da Mona Lisa um dia desapareça, há muito encontrou outra morada: o imaginário dos homens, dos mais intelectualizados aos mais iconoclastas. Peça teatral, título de filme, marca de bolo, champanhe, torradas, a misteriosa dama tem uma existência das mais inusitadas desde que mestre Leonardo a criou no século XVI, como bem o percebeu o historiador inglês Donald Sassoon, que escreveu um verdadeiro tratado sobre a mais misteriosa das mulheres-fetiche. Comparando-a com mitos femininos, questionando a genialidade de Leonardo, levantando em curiosa pesquisa todas as apropriações da bela senhora em vários épocas, o livro oferece conteúdos variados que envolvem a arte e a cultura do Ocidente, do Renascimento até a pós-Modernidade, e ainda presenteia o leitor com reproduções de muito boa qualidade editorial de telas famosas, incluindo a da própria Mona Lisa. É possível pensar que o quadro se transformou em obra revolucionária porque não se sabe o que motivou Leonardo a pintá-lo. Não há provas disponíveis que comprovem a origem do modelo retratado na famosa tela. No entanto, tudo faz crer que a “multidão incessante” que visita a “Mona Lisa” no Louvre, em atitude de adoração, tem sido movida por um dos mais bem montados marketings da História, revela Sassoon. Pois, até meados do século XIX, a “Mona Lisa” era apenas mais um dos quadros da Renascença disputados por reis para ornar os seus palácios. Como bom historiador contemporâneo, o autor dissecou o enigma e a magia que cercam a “Mona Lisa”, abordando vários campos de conhecimento. Da confecção à técnica utilizada por Leonardo da Vinci na feitura do quadro, sua contextualização e a comparação com mitos femininos, nada escapou ao interesse de Sassoon, que descreve em seu livro não apenas a trajetória da “Mona Lisa”, das cópias feitas por pintores famosos à reprodução em massa, como coloca em questão a genialidade de seu criador, além de expor a vitalidade do século XIX, vivenciada por monstros da cultura universal, como Baudelaire, Alfred de Musset e Théophile Gautier, todos submissos aos encantos da misteriosa dama. “O que deseja essa mulher? O que deseja uma mulher?”, queriam saber os intelectuais que dedicaram seus trabalhos a decifrar o sorriso de banda da Mona Lisa em pleno século XIX, transformando-a no alvo principal de suas preocupações acadêmicas. E em obsedante objeto de desejo. Seria ela um travesti? A interrogação gerada pelo sorriso enigmático da divina dama, e de outras tantas, bem poderia ilustrar a pergunta freudiana que tanta repercussão teve no século XX e que até hoje mexe com os neurônios de muitos psicanalistas. O livro varavasculha (diria Wally Salomão) a trajetória do fascinante quadro. Sem deixar de abordar um tema bem contemporâneo: a dessacralização da “Mona Lisa”, empreendida por artistas radicais que ousaram introduzir bigodes, cavanhaque, olhos esbugalhados e cachimbo, entre outras intervenções irreverentes que ajudaram a popularizar a lendária imagem, abrindo caminho para uma arte menos engessada. O auge do prestígio da “Mona Lisa” se dá no início do século XX, quando um cidadão ousou roubá-la do Louvre. Seu desaparecimento temporário foi pranteado pelos europeus que viveram momentos de verdadeiro luto. Depois de recuperada, será que era a mesma que havia sido roubada? Este ato de ousadia provocou outros. Foi suficiente para que sua apropriação se desse em grande escala por escritores, pintores e poetas. De Marcel Duchamp ao jovem poeta comunista Nazim Hikmet, passando por textos de Aldous Huxley, entre muitos outros, até chegar às massas. Já em 1960, a Mona Lisa anunciava vôos da Air India a Paris e ajudava a vender chocolate, champanhe, etc. Verborrágico, como costumam ser os historiadores munidos de infindáveis informações, o autor dedica capítulos e capítulos às especulações. E contribuiu decididamente para uma das mais completas historiografias da arte ocidental
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